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Terapia comportamental no tratamento da disfunção sexual - Parte 1

 

CRP 06/31768-3
Terapeuta Sexual

A terapia comportamental se distingue das psicoterapias tradicionais pela ênfase dada ao ambiente na determinação do comportamento. Os fundamentos da terapia comportamental são alicerçados nos pressupostos da Análise Experimental do Comportamento que é uma ciência que se preocupa com o modo pelo qual o comportamento de um organismo está relacionado com o seu ambiente.

O ponto focal do trabalho do terapeuta comportamental é analisar as interações existentes entre o organismo (pessoa-cliente) e o seu ambiente. As relações entre organismo e ambiente são chamadas de contingências de reforçamento. O terapeuta irá identificar e demonstrar, através de hipóteses, as relações funcionais existentes nestas contingências de reforçamento.

O terapeuta comportamental não se preocupa só com o ambiente. Como ressaltou Skinner em várias passagens da sua obra, a análise do comportamento não faz oposição entre comportamento e sentimento, pois tanto os sentimentos como os comportamentos são ambos causados pelas histórias genéticas e ambientais da pessoa (situações passadas que determinaram a formação do repertório comportamental e as situações presentes). Porém, ele esclarece que “a psicoterapia em geral se preocupa com sentimentos, ansiedade, medo, raiva e assemelhados. Um passo inicial em direção à terapia comportamental consistiu na noção de que o que é sentido não é um ‘sentimento' mas um estado do corpo... a terapia comportamental se interessa mais pelo evento antecedente do que pelo sentimento”, (Skinner, 2005).

Sentimentos são estados corporais

Quando o cliente relata que sou muito ansioso e minhas mãos ficam frias e suando quando vou ter relação sexual com minha namorada, aí ejaculo super-rápido, a ansiedade, a mão fria e o suor são estados do corpo do cliente (sentimentos) eliciados durante a relação sexual. O terapeuta sexual entende que estes estados corporais são causados por eventos passados (antecedentes) que podem ter condicionado uma resposta de fuga/esquiva através da ejaculação rápida. Portanto, não é a ansiedade que provoca a ejaculação rápida, mas algo que aconteceu no passado, no ambiente sexual do cliente, que condicionou uma ejaculação rápida. O terapeuta precisa saber sobre os eventos antecedentes para poder explicar esta ejaculação rápida. Assim, sendo “a terapia comportamental se interessa mais pelo evento antecedente do que pelo sentimento” (Skinner, 2005).

Caso a cliente relate que falta interesse em ter relação sexual com seu parceiro porque sente muita dor na penetração vaginal (dispareunia) o terapeuta deve fazer uma análise funcional e evidenciar qual a funcionalidade desta falta de interesse sexual pelo parceiro e a dor na penetração. Por que esta cliente foge ou se esquiva do seu parceiro através da falta de interesse e desejo? O parceiro estaria criando um “clima” (ambiente) aversivo, portanto, desfavorável para ela continuar tendo uma relação sexual satisfatória? Estas e outras hipóteses devem ser analisadas para em seguida se definir uma linha de conduta na terapia.

Os comportamentos sexuais disfuncionais de etiologia não orgânica são causados por contingências de reforçamento negativas e não por sentimentos ou estados mentais. Podemos tornar a vida sexual do cliente funcional eliminando a disfunção sexual corrigindo as contingências. Ou seja, provocando arranjos de contingências no ambiente sexual do cliente e, em muitos casos, em outros ambientes.

As explicações ficcionais para o comportamento, tais como: recalque; frustração; desmotivação; insegurança; dentre outras, não interessam ao analista do comportamento, pois não explicam o comportamento do cliente. Interessa sim, buscar a funcionalidade do comportamento sexual do(a) cliente.

Referência bibliográfica: Skinner, B. F. (2005). Questões recentes na análise comportamental. 5ª ed. Campinas: Papirus.

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