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A terapia comportamental se distingue das psicoterapias
tradicionais pela ênfase dada ao ambiente na determinação
do comportamento. Os fundamentos da terapia comportamental são
alicerçados nos pressupostos da Análise Experimental do
Comportamento que é uma ciência que se preocupa com o modo
pelo qual o comportamento de um organismo está relacionado com
o seu ambiente.
O ponto focal do trabalho do terapeuta comportamental é analisar
as interações existentes entre o organismo (pessoa-cliente)
e o seu ambiente. As relações entre organismo e ambiente
são chamadas de contingências de reforçamento. O
terapeuta irá identificar e demonstrar, através de hipóteses,
as relações funcionais existentes nestas contingências
de reforçamento.
O terapeuta comportamental não se preocupa só com
o ambiente. Como ressaltou Skinner em várias passagens da sua
obra, a análise do comportamento não faz oposição
entre comportamento e sentimento, pois tanto os sentimentos como os comportamentos
são ambos causados pelas histórias genéticas e ambientais
da pessoa (situações passadas que determinaram a formação
do repertório comportamental e as situações presentes).
Porém, ele esclarece que “a psicoterapia em geral se preocupa
com sentimentos, ansiedade, medo, raiva e assemelhados. Um passo inicial
em direção à terapia comportamental consistiu na
noção de que o que é sentido não é um ‘sentimento'
mas um estado do corpo... a terapia comportamental se interessa mais
pelo evento antecedente do que pelo sentimento”, (Skinner, 2005).
Sentimentos são estados corporais
Quando o cliente relata que sou muito ansioso e
minhas mãos ficam frias e suando quando vou ter relação
sexual com minha namorada, aí ejaculo super-rápido, a
ansiedade, a mão fria e o suor são estados do corpo do
cliente (sentimentos) eliciados durante a relação sexual.
O terapeuta sexual entende que estes estados corporais são causados
por eventos passados (antecedentes) que podem ter condicionado uma
resposta de fuga/esquiva através da ejaculação
rápida. Portanto, não é a ansiedade que provoca
a ejaculação rápida, mas algo que aconteceu no
passado, no ambiente sexual do cliente, que condicionou uma ejaculação
rápida. O terapeuta precisa saber sobre os eventos antecedentes
para poder explicar esta ejaculação rápida. Assim,
sendo “a terapia comportamental se interessa mais pelo evento antecedente
do que pelo sentimento” (Skinner, 2005).
Caso a cliente relate que falta interesse em ter relação
sexual com seu parceiro porque sente muita dor na penetração
vaginal (dispareunia) o terapeuta deve fazer uma análise funcional
e evidenciar qual a funcionalidade desta falta de interesse sexual pelo
parceiro e a dor na penetração. Por que esta cliente foge
ou se esquiva do seu parceiro através da falta de interesse e
desejo? O parceiro estaria criando um “clima” (ambiente) aversivo, portanto,
desfavorável para ela continuar tendo uma relação
sexual satisfatória? Estas e outras hipóteses devem ser
analisadas para em seguida se definir uma linha de conduta na terapia.
Os comportamentos sexuais disfuncionais de etiologia
não orgânica são causados por contingências
de reforçamento negativas e não por sentimentos ou estados
mentais. Podemos tornar a vida sexual do cliente funcional eliminando
a disfunção sexual corrigindo as contingências. Ou
seja, provocando arranjos de contingências no ambiente sexual do
cliente e, em muitos casos, em outros ambientes.
As explicações ficcionais para o comportamento,
tais como: recalque; frustração; desmotivação;
insegurança; dentre outras, não interessam ao analista
do comportamento, pois não explicam o comportamento do cliente.
Interessa sim, buscar a funcionalidade do comportamento sexual do(a)
cliente.
Referência bibliográfica: Skinner,
B. F. (2005). Questões recentes na análise comportamental.
5ª ed. Campinas: Papirus.
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